11/01/2026 15:34

Após morte de Isabel Veloso, neurocientista explica como o vínculo paterno é essencial para o desenvolvimento do filho de 1 ano

Para a especialista Telma Abrahão, a presença afetiva e constante do pai é capaz de garantir segurança emocional, mesmo diante da ausência materna

 

Com a morte de Isabel Veloso, aos 19 anos, vítima de câncer, a atenção se volta agora para o filho da jovem, de apenas 1 ano, que passa a ser criado exclusivamente pelo pai. Em meio à comoção e à dor da perda, surge também um olhar sensível sobre o futuro emocional dessa criança, especialmente nos primeiros anos de vida, fase considerada decisiva pela neurociência do desenvolvimento.

 

Segundo a neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil,  Telma Abrahão, é nesse período inicial que o cérebro passa por uma intensa organização, sendo profundamente influenciado pela qualidade dos vínculos, das experiências emocionais e do ambiente em que a criança está inserida.

 

“Do ponto de vista da neurociência, o cérebro do bebê não precisa, obrigatoriamente, da figura materna para se desenvolver de forma saudável. O que ele precisa é de um cuidador principal que seja presente, previsível, afetuoso e sensível às suas necessidades, e esse papel pode ser plenamente exercido pelo pai”, explica Telma.

 

Estudos apontam que a presença paterna ativa processos neurobiológicos fundamentais, como a liberação de oxitocina, hormônio ligado ao vínculo e ao afeto, e a regulação do cortisol, responsável pelas respostas ao estresse. Esses mecanismos ajudam a construir no cérebro da criança a sensação de segurança básica, essencial para o desenvolvimento da autoestima, da confiança e da estabilidade emocional ao longo da vida.

 

“Um pai emocionalmente disponível, que acolhe, cuida, brinca, conversa e responde aos sinais do bebê, ajuda a formar circuitos neurais associados à segurança e à regulação emocional. Isso é o que sustenta relações saudáveis no futuro”, destaca a especialista.

 

Mesmo diante da ausência física da mãe, Telma reforça que é possível preservar a presença emocional de Isabel na vida do filho. Histórias, fotos, lembranças e narrativas afetuosas contribuem para que a criança construa uma representação interna segura dessa figura materna.

 

“A neurociência é clara ao mostrar que não é a configuração familiar que determina um desenvolvimento saudável, mas a qualidade do vínculo, da presença e do cuidado. Em um momento de tanta dor, o amor, a constância e a sensibilidade do pai serão fundamentais para transformar essa perda em uma história de proteção, vínculo e resiliência”, conclui.

 

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