BBB26: como as músicas usadas para acordar os participantes todas as manhãs influenciam o humor e o jogo?
Canções como “I Gotta Feeling” e “Don’t Stop the Music” já provocaram reações distintas na casa e, segundo a DJ Scheila Santos, “a forma como alguém acorda define o tom emocional do dia inteiro”
Todos os dias, os participantes do Big Brother Brasil são acordados da mesma forma: luzes acesas de repente e músicas tocadas em volume alto pela produção. O que costuma ser tratado apenas como um detalhe operacional do reality pode ter um impacto direto no humor, no comportamento e na dinâmica do jogo. Em um ambiente de confinamento, onde convivência, estratégia e pressão emocional se misturam, o momento do despertar passa a ter um peso maior do que aparenta.
Em edições recentes do programa, algumas das músicas escolhidas para acordar os participantes chamaram atenção justamente pelas reações que provocaram dentro da casa. No BBB 24, canções animadas como “I Gotta Feeling”, do Black Eyed Peas, e “Don’t Stop the Music”, de Rihanna, foram usadas em diferentes manhãs e geraram respostas opostas entre os confinados. Enquanto alguns tentavam entrar no clima dançando ainda sonolentos, outros acordavam visivelmente irritados, reclamando do som alto logo nas primeiras horas do dia.
Ao analisar esse tipo de escolha musical no Big Brother Brasil, a DJ brasileira Scheila Santos afirma que o impacto do som no momento do despertar é imediato. “A forma como alguém acorda define o tom emocional do dia inteiro. Quando você desperta com uma música muito alta e acelerada, sem escolha, isso pode gerar irritação, ansiedade ou uma euforia que não é natural, e isso acaba refletindo no comportamento dentro da casa”, afirmou.
Segundo ela, esse efeito varia de pessoa para pessoa, mas o confinamento potencializa as reações. “Na vida real, quando você não gosta da música de um lugar, você simplesmente sai. No Big Brother, você não pode sair. É como uma pista de dança em que algumas pessoas gostam do som e entram no clima, enquanto outras se irritam. A diferença é que, no jogo, você é obrigada a ouvir aquela música queira ou não, e isso pode ativar vários gatilhos emocionais”, analisou.
A repetição diária desse tipo de estímulo, na avaliação da DJ, contribui para o desgaste emocional ao longo da semana. “Quando isso acontece todos os dias, o corpo vai acumulando cansaço. A tolerância diminui, as pessoas ficam mais reativas e qualquer situação simples pode virar conflito. Não é coincidência que muitos desentendimentos no BBB aconteçam logo nas primeiras horas da manhã”, disse.
Para Scheila, o próprio formato do programa deixa claro que a música não é um elemento neutro dentro do jogo. Ela cita as festas semanais como exemplo do contraponto emocional. “Se a música não tivesse esse poder todo, ela não seria usada como recompensa. As festas do BBB são o momento de extravasar, de aliviar a pressão. Na primeira festa desta edição, por exemplo, a produção levou a Anitta, que representa um estímulo máximo de energia, alegria e catarse”, afirmou.
Ao comparar esses dois momentos, a DJ conclui que o som exerce funções distintas ao longo do confinamento. “A música usada para acordar pressiona, acelera e desgasta. A música da festa libera, une e alivia. No Big Brother, ela não é detalhe: a música rege o dia, a semana e o emocional dos participantes, ajudando a conduzir o jogo”, concluiu.
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