Como médicos e dentistas brasileiros estão moldando a nova estética portuguesa
Com técnicas e olhares trazidos do Brasil, profissionais da área estética ajudam a construir uma nova percepção de corpo e beleza em Portugal.
À esquerda, o médico Roberto Chacur em congresso apresentando resultados da técnica GoldIncision. À direita, executando procedimento de harmonização glútea.Créditos: @drchacur
A presença de profissionais brasileiros em Portugal vem transformando silenciosamente o mercado da saúde e da estética no país. Dados recentes da Ordem dos Médicos indicam que cerca de 30% dos médicos estrangeiros em atividade são brasileiros, totalizando mais de 1.200 registros oficiais. Na Odontologia, o impacto é ainda maior: dos aproximadamente 1.500 dentistas estrangeiros inscritos na Ordem dos Médicos Dentistas, 680 são brasileiros. A maior parte desses profissionais atua em clínicas privadas de Lisboa e do Porto, em especialidades como harmonização facial, dermatologia e odontologia estética.
Essa presença reflete mais do que um movimento migratório. Representa uma exportação de mentalidade, técnica e sensibilidade estética. Os brasileiros introduziram em Portugal uma nova relação com o corpo, menos rígida e mais espontânea, que rompe com a tradição europeia de sobriedade e formalidade. A estética deixou de ser tabu e passou a ocupar o centro das conversas, impulsionada pela convivência entre culturas e pela popularização das redes sociais.
O reflexo é visível nas clínicas, nas academias e nas ruas. Procedimentos antes raros, como preenchimentos de glúteos com ácido hialurônico e bioestimuladores de colágeno, tornaram-se comuns. A busca é por resultados proporcionais, inspirados no equilíbrio entre técnica e naturalidade. O ideal brasileiro de curvas, antes visto como exuberante demais, agora se consolida como sinônimo de vitalidade e autoestima.
O médico brasileiro Roberto Chacur observa essa mudança de perto. Com duas décadas de experiência em estética avançada, ele afirma que Portugal vive um momento semelhante ao que o Brasil atravessou há alguns anos, quando o cuidado com o corpo passou a ser visto como sinônimo de saúde e autoestima. “Os portugueses estão mais abertos a procedimentos que valorizam as curvas, mas com resultados discretos e proporcionais. Existe uma busca por equilíbrio e naturalidade, algo que o Brasil já aprendeu a dominar”, diz. Em novembro, Chacur estará em Lisboa para ministrar um curso sobre harmonização glútea 360°, voltado a médicos e profissionais da área estética. Para ele, a iniciativa representa uma ponte entre dois modos de entender a beleza: o técnico e o cultural. “É uma troca de saberes, mas também de percepções. O Brasil tem uma estética viva, expressiva, e isso inspira o mundo inteiro”, completa.
Além da prática profissional, a influência brasileira também se manifesta no comportamento e no consumo. Academias portuguesas oferecem treinos inspirados no modelo fitness brasileiro, e marcas locais adaptam coleções de biquínis e roupas de praia a cortes mais cavados e coloridos. O humor, a linguagem corporal e a naturalidade das criadoras de conteúdo brasileiras se tornaram um novo padrão de comunicação para o público português.
Mais do que um intercâmbio de profissionais, o que se observa é uma mudança cultural. Portugal vive uma nova fase estética, marcada por um olhar mais positivo sobre o corpo e pela valorização da individualidade. A convivência entre as duas culturas redesenha o modo de entender a beleza: menos contida, mais autêntica e cada vez mais influenciada pela confiança brasileira.
—————

