Dolores Esos apresenta exposição “Rejunte” no Centro Cultural Correios, com pinturas que transformam fragmentos do cotidiano em memória
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11:06 (há 6 horas)
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Depois de integrar acervo do maior museu de arte urbana do mundo, artista lança, no dia 13 de maio, no Rio de Janeiro, nova série individual gratuita inspirada em azulejos, cerâmicas, fachadas e elementos da paisagem urbana e da alma brasileira
A artista visual e muralista Dolores Esos, que recentemente passou a integrar o acervo do STRAAT Museum, em Amsterdã — considerado o maior museu de arte urbana do mundo, — apresenta a exposição “Rejunte” no Centro Cultural Correios, no Rio de Janeiro, a partir de quarta, 13 de maio. Na individual, azulejos antigos, cerâmicas, louças, fachadas, grades, revestimentos e fragmentos da arquitetura cotidiana se transformam em memória visual. Com entrada gratuita, a mostra, aberta de terça a sábado, das 12h às 19h, reúne pinturas que transformam elementos comuns em imagens repletas de memória e referências à cultura brasileira.
Com 25 telas de tamanhos variados, de 20x20 cm até 100x100 cm, a série nasce da observação atenta e sensível de superfícies e elementos presentes no dia a dia, detalhes muitas vezes ignorados na paisagem urbana. Recolhidos ao longo do tempo, esses fragmentos aparecem nas telas em composições que conectam diferentes momentos. Assim como o rejunte que une os azulejos, as obras articulam partes dispersas e constroem imagens marcadas por cores vibrantes e padrões gráficos.
A artista Dolores Esos tem uma trajetória que une o grafite e a arte urbana a um trabalho de ateliê. No portfólio, acumula intervenções monumentais no Rio, como um painel de mais de 100 metros de largura no Terminal Gentileza e um viaduto de 300 metros de largura na Avenida Brasil. Inserida em um meio onde a presença feminina ainda precisa ser conquistada, ela enxerga a nova produção como uma forma de expandir sua voz para além dos grandes formatos. Na nova individual, direciona seu olhar para o trabalho de ateliê.
“Venho do graffiti, um meio em que as mulheres ainda precisam se impor para ocupar espaços. Acho que precisamos estar presentes, com nossas vozes e trabalhos, em todos os lugares — das galerias às grandes empenas. Além desse histórico do muralismo, tenho me interessado também por um trabalho mais íntimo, de ateliê, com tempo para olhar e construir pintura. Em 'Rejunte', observo fragmentos do cotidiano que guardam uma memória afetiva e ajudam a revelar uma alma brasileira que está nos detalhes”, diz a artista.
Azulejos antigos e cerâmicas são reorganizados em pinturas que remetem à alma brasileira
A série também dialoga com o tempo presente e propõe uma inversão em relação à produção crescente de imagens digitais. Dolores aposta na experiência física, no contato com objetos, na observação de texturas, superfícies e espaços do cotidiano. O resultado são pinturas que convidam o público a reconhecer padrões e detalhes que atravessam gerações e lugares, conectam lembranças e afetos.
A exposição marca um novo momento na trajetória da artista, construída entre o muralismo e a pintura. Recentemente, Dolores passou a integrar o acervo do STRAAT Museum, em Amsterdã — considerado o maior museu de arte urbana do mundo — com a obra “Verde-Amarelo-Caramelo”, exibida na mostra Brazilian Soul.
A obra “Verde-Amarelo-Caramelo” é inspirada no vira-lata da artista e está em exibição no STRAAT Museum. Crédito: Janneke Nooij
Com quase cinco metros de largura, a pintura exposta na Holanda reúne símbolos populares brasileiros — o vira-lata caramelo, o filtro de barro e elementos da vegetação tropical — em uma composição que mistura humor, afeto e identidade cultural. A presença da artista no acervo do museu a aproxima de nomes da arte urbana internacional como Eduardo Kobra, Shepard Fairey e Faith XLVII.
Com curadoria de Ana Carla Soler, pesquisadora em História da Arte pela UERJ, a nova exposição “Rejunte” também contará com atividades abertas ao público, como visitas guiadas e conversas com a artista, com datas a serem divulgadas em breve. A mostra tem apoio do Instituto Artistas Latinas, organização que atua no fortalecimento da visibilidade de mulheres na arte contemporânea.
Serviço
“Rejunte”, por Dolores Esos
Curadoria: Ana Carla Soler
Apoio: Instituto Artistas Latinas e Centro Cultural Correios
Abertura: 13 de maio, às 16h
Visitação: 13 de maio a 27 de junho 2026
Horários: terça a sábado, das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Correios - R. Visconde de Itaboraí, 20, Centro, Rio de Janeiro
Grátis
Sobre Dolores Esos
Nascida em Niterói e radicada no Rio de Janeiro, Dolores Esos é artista visual e muralista. Sua produção articula pintura, memória e imaginário urbano, explorando colagens visuais que combinam referências culturais, objetos cotidianos e elementos simbólicos. Formada em Cenografia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), com passagem pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), construiu uma trajetória multidisciplinar que atravessa as artes visuais, o design e a cenografia.
Iniciou sua carreira na cenografia carnavalesca, integrando a equipe criativa da Beija-Flor de Nilópolis no desfile campeão de 2007. Ao longo de sua trajetória, também desenvolveu projetos em teatro, animação e artes digitais, além de trabalhos em identidade visual e ilustrações para marcas como Adidas, Vogue, Globo, Warner Bros., Granado e Coca-Cola.
A pintura permanece como núcleo de sua pesquisa artística. Nos últimos anos, consolidou sua atuação no muralismo e ampliou sua presença no circuito expositivo, com participações em mostras no Brasil e no exterior, incluindo Itália, Estados Unidos e Holanda.
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