26/05/2026 17:48

“Eu não via sentido na vida”: fala de Anitta mostra o cansaço emocional de mulheres que precisam dar conta de tudo

Especialista em autoamor e autodesenvolvimento, Renata Fornari,  analisa como as armaduras emocionais têm levado mulheres ao esgotamento mesmo em meio ao sucesso

 

Reprodução Instagram

 

“Eu não via sentido na vida.” A frase dita pela cantora Anitta ao falar sobre crises emocionais e sensação de vazio repercutiu nas redes sociais e abriu uma conversa que ultrapassa o universo das celebridades.

 

Para a especialista em autoamor e autodesenvolvimento, Renata Fornari, o relato da artista revela um colapso emocional cada vez mais comum entre mulheres que aprenderam a sobreviver sustentando força, controle e perfeição o tempo inteiro. “Quando a Anitta fala que não via sentido na vida, ela verbaliza uma dor que muitas mulheres escondem atrás da produtividade, da independência e da imagem de que está tudo bem. Existe uma geração inteira emocionalmente cansada de precisar ser forte o tempo todo”, afirma.

 

Durante entrevista recente, Anitta também revelou que viveu períodos de desconexão profunda, mesmo em meio ao auge da carreira, descrevendo a sensação como “um buraco profundo” que ela não conseguia compreender.

 

Para Renata, esse vazio emocional está diretamente ligado às chamadas “armaduras emocionais”: mecanismos inconscientes criados ainda na infância para lidar com rejeições, cobranças, abandono emocional e necessidade constante de aprovação. “A mulher aprende cedo que precisa controlar tudo para se sentir segura. Que precisa agradar para ser aceita. Que demonstrar vulnerabilidade é perigoso. Essas armaduras ajudam a sobreviver por um tempo, mas depois começam a sufocar”.

 

Segundo a especialista, alguns padrões emocionais se repetem com frequência entre mulheres modernas e bem-sucedidas: a Controladora, que vive em hiperalerta; a Invisível, que se anula para pertencer; a Autossuficiente, que não consegue receber cuidado; e a Sabotadora, que deseja crescer, mas não sustenta a própria expansão emocional. “Elas parecem fortes. E muitas realmente são. Mas existe uma diferença enorme entre força e endurecimento emocional. Tem mulheres funcionando perfeitamente por fora e emocionalmente desaparecendo por dentro.”

 

Renata acredita que o aumento das crises emocionais femininas também está relacionado à cultura da performance permanente, intensificada pelas redes sociais e pela pressão de parecer sempre feliz, produtiva e realizada. “O mundo ensinou muitas mulheres a performar sucesso, independência e controle, mas não ensinou como sustentar paz interior. Em algum momento, o corpo começa a cobrar essa desconexão.”

 

A especialista afirma que o caminho do autoamor passa justamente pela desconstrução dessas armaduras emocionais e pela reconstrução da identidade feminina sem máscaras. “Ser dona de si não é controlar tudo. É conseguir existir sem precisar se abandonar para caber nas expectativas dos outros”.

 

Para Renata, talvez o maior ato de coragem feminina hoje seja parar de sobreviver e começar, finalmente, a se escutar. “A verdadeira cura começa quando a mulher entende que não precisa mais carregar o mundo inteiro para merecer amor, pertencimento e paz”, finaliza.

 

 

 

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