10/02/2026 15:46

Good debt: porque milionários e celebridades preferem financiar mansões mesmo com dinheiro em caixa

De Beyoncé e Jay-Z a Mark Zuckerberg e Kylie Jenner, o endividamento estratégico virou símbolo de inteligência financeira e começa a ganhar espaço entre compradores de alto padrão no Brasil.

 

 

 

Comprar uma mansão à vista deixou de ser sinônimo de poder. O novo sinal de inteligência financeira é justamente o oposto: financiar o imóvel, mesmo tendo dinheiro para quitá-lo. A lógica, conhecida como "good debt" ou “dívida inteligente”, parte da ideia de que, se o rendimento do capital investido supera o custo dos juros, vale mais deixar o dinheiro render do que imobilizá-lo em um único bem.

A prática se consolidou entre celebridades e executivos de alto patrimônio que veem o crédito como ferramenta estratégica. Jay-Z e Beyoncé financiaram uma mansão avaliada em mais de 200 milhões de dólares em Malibu, mesmo com patrimônio bilionário. Mark Zuckerberg também optou por hipoteca ao comprar sua casa em Palo Alto, e nomes como Kylie Jenner e Taylor Swift seguiram o mesmo caminho. O movimento ganhou força após a crise de 2008, quando os juros baixos tornaram o crédito vantajoso até para os bilionários. Desde então, o dinheiro barato passou a ser usado para proteger e multiplicar o patrimônio.

No Brasil, o crédito ainda é visto como sinal de falta de recursos. “Ainda existe a crença de que quem tem muito dinheiro deve comprar tudo à vista. Mas, no mercado de luxo, o crédito se tornou uma ferramenta de planejamento, não de necessidade”, explica Fabrizio Bevilacqua, CEO da incorporadora ítalo-brasileira Netcorp.

Segundo ele, o comprador de alto padrão é cada vez mais técnico e racional. “Ele entende de taxa, compara cenários e faz as contas. Em vez de usar todo o capital em um único imóvel, prefere preservar liquidez e aproveitar o crédito como alavanca financeira”, afirma. A tendência reflete uma mudança no comportamento do luxo. “Nossa cultura financeira ainda é emocional. O novo luxo não está em mostrar poder imediato, mas em administrar o tempo e o dinheiro com inteligência”, diz Bevilacqua.

Com o avanço de linhas de crédito para alta renda e imóveis acima de 3 milhões de reais, incorporadoras como a Netcorp adaptam suas estratégias para atender um público que vê o imóvel como parte do portfólio, não apenas como moradia. “Esses clientes querem morar bem, mas também planejam o futuro com o mesmo cuidado que administram suas empresas. Financiar é uma decisão estratégica que equilibra liquidez, rentabilidade e conforto”, finaliza Bevilacqua.

Mais do que uma tendência financeira, o good debt simboliza uma nova mentalidade: o verdadeiro luxo não está em gastar, mas em preservar. “Ter dinheiro não significa gastar tudo. O luxo está em saber onde e quando o seu dinheiro trabalha melhor para você”, conclui Bevilacqua.

 

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