22/01/2026 20:19

Gravidez de Lauana Prado: como mulheres realizam a maternidade independente por FIV no Brasil

 

A cantora anunciou a gestação recentemente, após iniciar o processo de Fertilização in Vitro em 2022. Especialistas explicam como funciona a escolha do sêmen, as etapas do tratamento e por que a reprodução assistida pode ser um projeto de médio e longo prazo
 

A gravidez da cantora Lauana Prado, anunciada recentemente, coloca em evidência a maternidade independente por meio da Fertilização in Vitro (FIV). A artista revelou que iniciou o processo ainda em 2022, reforçando que a reprodução assistida, mesmo com os avanços da medicina, costuma ser um caminho que exige tempo, planejamento e acompanhamento especializado.

De acordo com Dra. Graziela Canheo, Ginecologista e Especialista em Reprodução Humana, a escolha do sêmen é uma das etapas mais importantes desse projeto reprodutivo. “No Brasil, a utilização de sêmen doado segue normas rigorosas de segurança, rastreabilidade e controle sanitário. As mulheres têm acesso a perfis detalhados dos doadores em bancos autorizados, com informações padronizadas sobre características físicas, histórico familiar, exames genéticos e sorológicos. Essa escolha é sempre orientada pela equipe médica”, explica.

Atualmente, a legislação brasileira permite tanto a utilização de bancos de sêmen nacionais, onde a doação é obrigatoriamente anônima e voluntária, quanto a importação de material genético de bancos internacionais, desde que toda a documentação sanitária e ética seja cumprida. “Após a seleção, o sêmen é enviado diretamente à clínica de reprodução assistida, seguindo protocolos rigorosos de transporte e armazenamento”, completa a médica.

Para Dra. Paula Fettback Ginecologista Especialista em Reprodução Humana pela FEBRASGO, o caso de Lauana Prado ilustra bem por que a reprodução assistida não acontece, na maioria das vezes, de forma imediata. “A FIV raramente é um evento isolado. Algumas mulheres precisam de mais de um ciclo para obtenção de óvulos, outras passam por etapas de congelamento, pausas planejadas ou tentativas sucessivas até alcançar um embrião com bom potencial de implantação. Fatores como idade, reserva ovariana, qualidade embrionária e até o momento emocional influenciam diretamente nesse tempo”, afirma.

Após a escolha do sêmen, o processo de Fertilização in Vitro envolve etapas bem definidas. Primeiro, a mulher passa por uma estimulação ovariana controlada, acompanhada por ultrassons e exames hormonais. Em seguida, ocorre a punção ovariana, procedimento minimamente invasivo para a coleta dos óvulos. Esses óvulos são fertilizados em laboratório com os espermatozoides doados, formando os embriões, que podem ser transferidos ao útero no mesmo ciclo ou congelados para um momento mais adequado.

Do ponto de vista médico, a gravidez por reprodução assistida exige acompanhamento especializado, mas, na maioria dos casos, evolui como uma gestação espontânea. Já no aspecto emocional, os desafios podem ser maiores, especialmente na maternidade independente. “A mulher assume sozinha decisões importantes, expectativas e possíveis frustrações. Por isso, o suporte emocional seja psicológico, familiar ou social é tão importante quanto o tratamento médico”, ressalta a Dra. Graziela Canheo.

Para a Dra. Paula Fettback, a informação é um dos pilares para quem deseja iniciar esse caminho. “É fundamental entender as etapas, as taxas reais de sucesso e os possíveis imprevistos. A produção independente deve ser uma decisão consciente, madura e planejada. Hoje, a reprodução assistida não é apenas uma tecnologia médica, mas também uma ferramenta de autonomia reprodutiva feminina”, conclui.
 

Dra. Graziela Canheo

CRM 145288 | RQE 68331

Ginecologista e Obstetra

Reprodução Humana

  • Médica Graduada pela Universidade Metropolitana de Santos (2010)
  • Residência médica em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital do Servidor Público Estadual do Estado de São Paulo (2013)
  • Título de Qualificação em Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia pela ABPTGIC (2014)
  • Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (2015)
  • Fellowship em Reprodução humana pelo Instituto Idéia Fértil de Saúde Reprodutiva (2014 – 2016)
  • Pós-graduação em videolaparoscopia e histeroscopia pelo Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (2018 – 2019)
  • Membro das principais sociedades nacionais e internacionais da área da Ginecologia e Reprodução Humana
  • Diretora técnica e médica da La Vita Clinic

 

Dra. Paula Fettback

CRM 117477 SP

CRM 33084 PR

  • Possui graduação em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina - UEL (2004).
  • Residência médica em Ginecologia e Obstetrícia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP- 2007)
  • Atua em Ginecologia e Obstetrícia com ênfase em Reprodução Humana.
  • Estágio em Reprodução Humana na Universidade de Michigan - USA. Médica colaboradora do Centro de Reprodução Humana Mário Covas do HC-FMUSP (2016).
  • Doutora em Ciências Médicas pela Disciplina de Obstetrícia e Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).
  • Membro da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM - 2016)
  • Médica da Clínica MAE São Paulo - SP
  • Título de Especialista em Reprodução Assistida Certificada pela Febrasgo (2020)

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