Beleza que pesa: descubra o segredo das musas para proteger o cabelo das laces e coroas imponentes no Carnaval
Após o primeiro dia de desfiles das escolas de samba de São Paulo, especialista alerta para os cuidados pré e pós-folia e explica os riscos da tração excessiva no couro capilar.jpg)
O Carnaval já começou oficialmente no sambódromo de São Paulo, e junto com o brilho das fantasias vieram também as produções capilares impecáveis: laces perfeitas, megahair volumoso e coroas imponentes que transformam musas e rainhas em verdadeiras divindades da avenida. Looks como os de Sabrina Sato, Lexa e tantas outras estrelas da folia impressionam pelo impacto visual, mas pouco se fala sobre o que acontece depois que os holofotes se apagam.
Em entrevista, Lexa revelou ter sentido dor de cabeça após desfilar com um acessório pesado. A situação é mais comum do que parece, segundo a visagista e terapeuta capilar Mari Borges. “No Carnaval, a gente vê produções impecáveis, laces perfeitas, coroas imponentes, megas volumosos… mas o que quase não aparece é o que vem depois: dor na cabeça, sensibilidade na raiz e, em alguns casos, até queda por tração”, explica a especialista.
De acordo com Mari, o problema está diretamente ligado ao peso e à tensão contínua sobre o couro cabeludo. “Quando usamos laces, megas ou coroas muito pesadas por horas, acontece uma tração constante na raiz. Essa força comprime o couro cabeludo, reduz a circulação local e sobrecarrega não só os fios, mas também a musculatura da nuca e da cervical. Existe peso, existe tensão e existe um limite biológico do couro cabeludo”.
Se essa tensão for excessiva ou repetitiva, o quadro pode evoluir para quebra e até alopecia por tração, tipo de queda causada justamente pelo estresse mecânico prolongado nos fios. “E tem um detalhe importante: cabelo fragilizado por química sofre ainda mais. Fios loiros, descoloridos ou que já passaram por processos químicos têm menos resistência estrutural, então o risco é maior”, alerta.
Para quem vai desfilar, seja em escola de samba, bloco ou camarote, a preparação começa antes mesmo da fantasia. “O ideal é fortalecer o couro cabeludo nas semanas que antecedem o evento e evitar procedimentos químicos muito próximos da data. A base da lace ou do aplique precisa ser firme, mas nunca extremamente apertada. Trança muito tensionada não significa maior durabilidade, significa maior agressão”, orienta Mari Borges.
Outro ponto essencial é ouvir os sinais do corpo. “Desconforto não deve ser ignorado. Dor latejante na raiz é um sinal claro de excesso de tração. E dormir com acessórios pesados é um erro clássico que pode piorar muito o quadro”. Assim como a preparação é estratégica, o pós-evento é decisivo para a saúde capilar. “A remoção precisa ser técnica, sem arrancar cola ou forçar a raiz. A lavagem deve ser suave, evitando shampoos agressivos no primeiro dia. O couro cabeludo precisa respirar e recuperar a circulação”, explica.
Em alguns casos, tratamentos estimulantes podem ajudar. “Se houver sensibilidade ou queda, recursos como LED ou laser de baixa potência auxiliam na recuperação e no estímulo da circulação local”. Para a especialista, o segredo das musas que aguentam horas de desfile está na combinação entre técnica, preparo e acompanhamento profissional. “É possível ter impacto visual sem comprometer a saúde capilar. O segredo está no equilíbrio entre beleza e biomecânica”, finaliza.
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