Juju Ferrari assume carreira musical de ex-detento e aposta na ressocialização pós prisão
“Existe um público enorme interessado nessas histórias, e alguém precisa profissionalizar isso”, afirma Juju Ferrari sobre Tio Kita Simpson, cantor de trap
Nos últimos meses, personagens que ganharam visibilidade a partir da série Tremembé passaram a ocupar espaço constante nas redes sociais, em entrevistas, podcasts e plataformas de vídeo. A repercussão dessas histórias fez com que trajetórias de ex-detentos, antes restritas ao ambiente prisional, passassem a ser consumidas como conteúdo de massa, gerando audiência, engajamento e novos desdobramentos no entretenimento. Esse movimento, que ficou conhecido informalmente como “efeito Tremembé”, não se refere apenas ao presídio em si, mas ao impacto cultural provocado pela exposição pública dessas narrativas e à forma como elas passaram a ser transformadas em projetos profissionais.

Ao comentar a decisão de assumir a carreira musical de um desses artistas, Juju Ferrari afirmou que a escolha foi estratégica e baseada no momento atual de consumo desse tipo de conteúdo. “Eu enxerguei ali um artista com narrativa, público e potencial. Não foi uma decisão emocional, foi empresarial. Essas histórias estão sendo consumidas agora, existe audiência real, mas sem estrutura elas se perdem. Eu quis entrar para organizar, profissionalizar e transformar isso em carreira”, afirmou.
O artista em questão é Tio Kita Simpson, cantor de trap, que também transita pelo rap e pelo funk, e ganhou projeção ao transformar em música a própria trajetória. Em vídeos publicados em suas redes sociais, ele afirma ter ficado 21 anos preso e passado por 32 penitenciárias no estado de São Paulo, utilizando essa vivência como base para as letras e para o posicionamento do projeto musical. A combinação entre experiência pessoal e linguagem urbana ajudou a consolidar uma base expressiva de seguidores e inseriu o cantor no movimento associado ao chamado “efeito Tremembé”.
Ao falar sobre o que espera desse agenciamento, Juju Ferrari disse que o foco está em estruturar a carreira com planejamento e visão de longo prazo. Segundo ela, a proposta é transformar visibilidade em trabalho consistente, sem explorar o passado de forma sensacionalista. “Eu acredito em construir algo sólido, com planejamento, equipe e respeito pela história dele. Não é sobre o que ficou para trás, é sobre o que pode ser feito daqui pra frente com responsabilidade e visão de mercado”, conclui.
—————

