07/01/2026 17:43

Mães que usam redes sociais são até quatro vezes mais julgadas, aponta pesquisa sobre mom shaming

“Quando fui ler as mensagens após treinar com meu filho, percebi que não era sobre exercício, era sobre me cobrarem por continuar cuidando de mim”, afirma Mlow



 

 


 

O julgamento sobre a maternidade nas redes sociais ganhou números que ajudam a explicar o que muitas mulheres já sentem na prática. Pesquisas internacionais sobre comportamento digital, como levantamentos divulgados por plataformas voltadas à maternidade, indicam que mães ativas nas redes sociais podem ser até quatro vezes mais propensas a se sentirem julgadas por suas escolhas do que mulheres que não expõem a rotina online. O fenômeno, conhecido como mom shaming, descreve críticas direcionadas principalmente a decisões ligadas ao corpo, à alimentação e ao autocuidado.


 

Na prática, essa estatística ganhou rosto e história no perfil da influenciadora fitness Mlow. Ao publicar uma foto simples, treinando ao lado do filho, ela diz que não imaginava a reação que viria. “Eu postei algo absolutamente comum da minha rotina. Não era um treino pesado, não era performance”, conta. Ainda assim, o que parecia um registro cotidiano acabou gerando uma enxurrada de comentários e mensagens privadas.


 

Segundo Mlow, o que mais chamou atenção não foi apenas a quantidade, mas o padrão das críticas. “As mensagens chegavam o tempo todo, tanto no post quanto no inbox”, relata. Ao observar melhor, ela percebeu que cerca de 90% dos comentários negativos vieram de outras mulheres, muitas delas mães. “Diziam que aquele não era o momento de pensar em mim, que eu deveria estar focada só no meu filho, como se autocuidado fosse egoísmo”, afirma.


 

A influenciadora faz questão de contextualizar o episódio. “Era um exercício adaptado ao pós-parto, feito com meu filho ali comigo. Não era corpo perfeito, não era estética. Era vida real”, diz. Mesmo assim, a imagem despertou reações que, segundo ela, refletem uma expectativa silenciosa de que a mulher, ao se tornar mãe, deve se anular completamente.


 

Após comentar o episódio publicamente, Mlow afirma que recebeu uma onda de mensagens de apoio. “Muitas mães disseram que sentem culpa até para caminhar, se alongar ou fazer algo por elas mesmas”, relata. Para ela, esse retorno mostrou que o mom shaming não é exceção, mas parte de uma cobrança ainda normalizada nas redes sociais, muitas vezes reproduzida entre as próprias mulheres.


 

No fim, Mlow diz que o episódio reforçou algo que já vinha percebendo. “Treinar não me afasta do meu filho. Me ajuda a estar melhor física e emocionalmente para ele”, afirma. Segundo ela, enquanto o autocuidado continuar sendo tratado como falha materna, histórias como a dela seguirão se repetindo, com números que apenas confirmam o que muitas mães vivem todos os dias.

 

 

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