03/02/2026 15:24

Maiara fala sobre alopecia, assume o cabelo natural e aborda autoestima, imagem e saúde capilar

Especialistas explicam como a alopecia afeta mulheres, o papel do diagnóstico precoce e por que escolhas estéticas conscientes podem mudar o curso do tratamento

 

Após se pronunciar publicamente sobre os comentários envolvendo sua aparência ao surgir com o cabelo natural e sem maquiagem, Maiara trouxe à tona um tema ainda cercado de estigmas: a alopecia feminina. Diagnosticada com alopecia androgenética, a cantora compartilhou, em um depoimento emocionante, como a condição impactou sua relação com a própria imagem, os desafios enfrentados ao longo dos anos e a importância das escolhas feitas para preservar a saúde dos fios, entre elas, o uso consciente de laces.

 

“Cabelo fala diretamente sobre autoestima. Para quem trabalha com imagem, isso pesa ainda mais”, afirmou a artista ao relatar que, desde muito jovem, recorreu a diferentes técnicas estéticas, como amarrações, fitas e alongamentos, que acabaram agravando a fragilidade dos fios. O diagnóstico trouxe não apenas respostas, mas também a necessidade de mudança de rota. “Cheguei a um ponto em que praticamente não tinha mais cabelo. Hoje, ver ele crescer de novo é uma vitória”, disse.

 

A médica especialista em estética, Dra. Fernanda Nichelle, avalia que o depoimento de Maiara traduz a experiência de muitas mulheres que enfrentam a queda de cabelo sem, em um primeiro momento, entender suas origens. “A alopecia é uma condição clínica multifatorial, que pode estar relacionada a fatores hormonais, genéticos, nutricionais, emocionais e até a hábitos inadequados de cuidado capilar. Por isso, o acompanhamento médico é indispensável”, esclarece.

 

Ela explica que a alopecia androgenética é a forma mais frequente entre mulheres e costuma evoluir de maneira progressiva e discreta. “Ao contrário do que se imagina, não ocorre uma queda repentina. Os fios afinam, a densidade diminui e o couro cabeludo começa a ficar mais visível, sobretudo no topo da cabeça e ao longo da risca central”, detalha. A especialista reforça ainda que, embora algumas alopecias não tenham cura, todas podem ser controladas quando identificadas precocemente. “Não há um tratamento padrão. Cada paciente precisa de uma abordagem personalizada, conforme a causa”, destaca.

 

Já a visagista e terapeuta capilar, Mari Borges, ressalta que a fala de Maiara tem um impacto que vai além da estética. “Quando uma mulher pública fala abertamente sobre a alopecia, ela contribui para desconstruir a ideia de que cabelo bonito precisa ser sempre volumoso. A alopecia androgenética tem origem genética e hormonal e, muitas vezes, a pessoa convive com essa predisposição por anos até que algum gatilho, como cirurgias, estresse intenso ou alterações hormonais, faça a condição se manifestar”, explica.

 

Mari chama atenção para os riscos de determinados procedimentos estéticos em fios já fragilizados. “Alongamentos que tracionam, como fitas e queratina, podem acelerar a perda em quem tem predisposição, levando inclusive à alopecia por tração. As laces, quando bem indicadas e aplicadas corretamente, costumam ser uma alternativa mais segura, porque não exercem tensão direta sobre o fio”, afirma.

 

A terapeuta capilar reforça que o tratamento da alopecia exige constância e informação. “Não é sobre esconder, é sobre cuidar. Quanto antes se identifica, maiores são as chances de estabilizar o quadro e preservar o cabelo. O fio pode até não voltar a ser como antes, mas é possível recuperar densidade, resistência e, principalmente, a confiança”, diz.

 

Ao assumir o cabelo natural e dividir sua trajetória, Maiara transforma uma experiência pessoal em um debate necessário, sobre saúde, escolhas estéticas responsáveis e a liberdade de existir para além dos padrões. Uma conversa que ecoa muito além do espelho.

 

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