Paris Hilton adapta nova mansão ao TDAH e amplia conversa sobre diagnóstico feminino na vida adulta
Ao reorganizar a casa de acordo com seu funcionamento cognitivo, empresária reforça a importância do autoconhecimento; a médica psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi analisa por que mulheres estão se reconhecendo cada vez mais na neurodivergência
Reprodução Instagram
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A decisão de Paris Hilton de adaptar sua nova mansão em Los Angeles às próprias necessidades como mulher com TDAH vai além do luxo. Após perder a antiga residência em um incêndio, a empresária investiu em uma nova mansão em Los Angeles e conduziu uma reforma pensada para favorecer foco, organização visual e bem-estar, respeitando seu diagnóstico, recebido já na vida adulta.
Mais do que uma casa de alto padrão, o projeto priorizou funcionalidade. Ambientes com estímulos visuais organizados, identificação clara de objetos e soluções que facilitem a memória prática fazem parte da estratégia. A escolha de móveis que permitam mobilidade também integra o conceito, considerando a necessidade de movimento para sustentar a concentração.
Ao falar abertamente sobre o transtorno, Paris contribui para uma mudança de percepção que ultrapassa o universo das celebridades. Para a médica psiquiatra Dra. Thaíssa Pandolfi, especialista em neurodivergência feminina, TDAH, autismo, superdotação e altas habilidades associadas à alta sensibilidade, a exposição pública tem impacto direto na forma como mulheres adultas passam a interpretar a própria trajetória. “Muitas cresceram ouvindo que eram desorganizadas, sensíveis demais ou distraídas. Quando compreendem que existe uma base neurobiológica para esse funcionamento, há um alívio imediato. Um alinhamento de identidade acontece”, afirma.
Segundo a especialista, o diagnóstico tardio é frequente entre mulheres porque, desde cedo, elas aprendem a se adaptar socialmente. “A camuflagem exige esforço constante. Isso gera exaustão, ansiedade e sensação de inadequação. O diagnóstico não é uma sentença, é uma ferramenta de organização. Ele permite criar estratégias compatíveis com o próprio cérebro.”
No consultório, Dra. Thaíssa observa com frequência a associação entre TDAH, autismo, altas habilidades e alta sensibilidade. “É comum encontrarmos mulheres com pensamento acelerado, hiperfoco criativo e grande profundidade emocional. Quando essas características são compreendidas, deixam de ser vistas como falhas e passam a ser diferenciais".
No Brasil, relatos públicos de Letícia Sabatella, Sabrina Sato e Tatá Werneck também ampliaram a identificação entre mulheres adultas que buscaram avaliação após anos de autocrítica.
Ao reorganizar a própria casa a partir do entendimento de como seu cérebro funciona, Paris Hilton coloca em evidência um ponto central, inclusão também passa por reconhecer necessidades cognitivas específicas. Para muitas mulheres, essa compreensão representa o início de uma relação mais estratégica e menos culpabilizante consigo mesmas, tema que dialoga diretamente com debates sobre carreira, liderança e saúde mental.
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