Polêmica internacional reacende debate sobre “grupos tóxicos de mães” nas redes sociais
Após críticas de Ashley Tisdale e reação de Matthew Koma, influenciadora brasileira Mlow relata ataques sofridos após publicar fotos amamentando e treinando
A atriz Ashley Tisdale publicou recentemente um texto criticando os chamados “grupos tóxicos de mães” nas redes sociais, afirmando que essas comunidades, criadas inicialmente para troca de apoio, frequentemente se transformam em ambientes de julgamento, culpa e pressão. Segundo ela, decisões individuais sobre maternidade acabam sendo tratadas como regras universais, gerando comparação constante entre mulheres.
A discussão ganhou ainda mais repercussão após a reação de Matthew Koma, marido da atriz Hilary Duff. Ele afirmou que o posicionamento de Ashley foi “fora de tom” ao não considerar o privilégio de celebridades, que contam com mais recursos financeiros, rede de apoio e acesso a profissionais, realidade distante da maioria das mães. A troca de posicionamentos ampliou o debate sobre maternidade, redes sociais e desigualdade de contextos.
No Brasil, a polêmica encontra paralelo direto na experiência da influenciadora fitness Mlow, que afirma ter vivido na prática a toxicidade desses espaços virtuais. Segundo ela, o episódio mais marcante ocorreu no período pós-parto, após a publicação de uma foto mostrando a rotina real de amamentação conciliada com treino, conteúdo que gerou uma onda de críticas, principalmente vindas de outras mães.
De acordo com Mlow, o post tinha como objetivo mostrar o cotidiano sem romantização, conciliando amamentação, autocuidado e saúde mental. “A intenção era mostrar que dá para cuidar do filho e de si ao mesmo tempo”, afirmou. No entanto, os comentários tomaram outro rumo. “Passei a receber mensagens dizendo que eu estava mais preocupada com o corpo do que com o meu filho, que amamentar e treinar eram incompatíveis, como se eu estivesse fazendo algo errado”, relata.
A influenciadora afirma que muitas críticas questionavam até o ato de se expor durante a amamentação. “Teve gente dizendo que eu não deveria mostrar isso, que era inadequado, que eu estava usando a maternidade para me promover”, conta. Segundo Mlow, a maior parte das mensagens negativas — cerca de 90% — veio de outras mulheres, o que tornou a experiência ainda mais difícil. “O julgamento vem de quem deveria entender o que é estar nesse lugar”, diz.
Após a repercussão, Mlow decidiu falar publicamente sobre o episódio e passou a classificar esses espaços como grupos tóxicos de mães, justamente por reforçarem culpa e insegurança. “Existe um modelo único de maternidade sendo imposto. Se você sai desse roteiro, vira alvo”, afirma. Para ela, a pressão é especialmente pesada no pós-parto, período marcado por adaptação física, emocional e hormonal.
Assim como no debate levantado por Ashley Tisdale e Matthew Koma, Mlow destaca que as redes sociais ignoram realidades diferentes. “Nem todas as mães têm a mesma estrutura, o mesmo apoio ou o mesmo tempo. Quando isso não é levado em conta, esses grupos deixam de acolher e passam a adoecer”, avalia.
Para a influenciadora, o caso internacional ajuda a legitimar um debate que muitas mulheres vivem de forma silenciosa. “O problema não é falar sobre maternidade. O problema é transformar isso em uma régua de julgamento”, conclui.
Foto: @mc_mlow_
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