Simone Mendes adota regras rígidas contra telas e defende infância longe do celular
Cantora relata rotina “sem telas” para os filhos e reacende debate sobre limites na criação; a neurocientista Telma Abrahão explica como o excesso digital afeta o cérebro infantil
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Em um momento em que a tecnologia ocupa cada vez mais espaço na rotina das famílias, Simone Mendes decidiu impor limites claros dentro de casa. Mãe de Henry e Zaya, a cantora revelou que optou por uma criação com restrições ao uso de telas, buscando garantir aos filhos uma infância mais ativa, afetiva e longe da dependência digital.
“Desde que eu entendi que a tela faz mal para a criança, eu e meu esposo tomamos essa decisão. Lá em casa, durante a semana, não tem celular, não tem tela. No fim de semana, eles têm uma hora por dia, tudo bem regradinho”, contou Simone, ao explicar que a escolha não é radical, mas consciente.
Segundo a artista, os efeitos da mudança são visíveis no comportamento das crianças. “Você vê seu filho voltar a brincar, jogar bola, pegar brinquedos que estavam esquecidos. Dá para ver a criança com vida de novo. E isso faz a gente lembrar da nossa própria infância, que era uma infância normal”, afirmou.
A postura da cantora encontra respaldo na ciência. Para a neurocientista Telma Abrahão, especialista em desenvolvimento infantil, o cérebro de crianças e adolescentes é especialmente sensível ao excesso de estímulos digitais. “Estamos falando de uma fase crítica de desenvolvimento. A superexposição às telas interfere na regulação da dopamina, um neurotransmissor ligado ao prazer, e pode transformar esse mecanismo natural em um comportamento compulsivo”, explica.
De acordo com Telma, o consumo contínuo de conteúdos digitais cria uma busca constante por estímulos mais intensos. “O cérebro passa a precisar de mais estímulos para alcançar o mesmo nível de prazer, o que pode gerar falta de motivação, dificuldade de concentração e sintomas depressivos”, alerta.
Além do impacto neurológico, a especialista chama atenção para as consequências emocionais e sociais. “Quando a tela substitui a convivência, a criança deixa de desenvolver vínculos afetivos, habilidades emocionais e sociais essenciais. Essa desconexão tem contribuído para o aumento de quadros de ansiedade e depressão na infância e adolescência”, afirma.
Problemas de sono, queda no rendimento escolar e comportamentos agressivos também estão entre os efeitos associados ao uso excessivo de telas. Para Telma Abrahão, o enfrentamento desse cenário exige uma mudança de cultura dentro das famílias. “Mais do que reduzir o tempo de tela, precisamos resgatar experiências reais: brincar, conversar, estar presente. Conexões humanas fortalecem autoestima, resiliência e equilíbrio emocional".
Ao compartilhar sua experiência como mãe, Simone Mendes amplia um debate que atravessa gerações e estilos de vida. Em meio à hiperconectividade, o desafio de equilibrar tecnologia e infância saudável se torna cada vez mais urgente. “A tecnologia deve ser uma aliada do bem-estar, não uma armadilha para o cérebro em desenvolvimento”, conclui Telma.
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