CAFÉ FILOSÓFICO DEBATE SAÚDE MENTAL NA ERA DOS ALGORITMOS, NA TV CULTURA
Foto Tati Ferro
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CAFÉ FILOSÓFICO DEBATE SAÚDE MENTAL NA ERA DOS ALGORITMOS, NA TV CULTURA
TAINÁ MÜLLER RECEBE O PSICANALISTA E PSIQUIATRA MARCELO VERAS NESTE DOMINGO (17/5)
Em continuidade ao módulo sobre responsabilidade e escuta na psicanálise contemporânea, o Café Filosófico deste domingo (17/5) recebe o psicanalista e psiquiatra Marcelo Veras. Ao lado da apresentadora Tainá Müller, ele reflete sobre as transformações na relação entre psicanálise e psiquiatria em um mundo cada vez mais atravessado pelas tecnologias digitais. O programa inédito vai ao ar na TV Cultura, às 20h.
Longe de oposições simplificadoras, como “medicação versus terapia” ou “cérebro versus mente”, a proposta é ampliar o olhar sobre o cuidado em saúde mental, que se torna cada vez mais complexo e urgente diante do avanço da inteligência artificial, da digitalização da vida e das novas dinâmicas sociais.
Hoje, aplicativos, algoritmos e dispositivos de monitoramento já influenciam diretamente a forma como pensamos, sentimos e nos relacionamos. Também cresce o uso da inteligência artificial como interlocutora — e até como conselheira — em questões subjetivas e existenciais.
Nesse contexto, o programa se organiza em três eixos principais: os impactos da tecnologia e da IA sobre a subjetividade; os avanços da chamada psiquiatria computacional, que promete diagnósticos cada vez mais precisos a partir da análise de dados; e transformações sociais mais amplas, como a cultura da performance, a medicalização da vida e as desigualdades de acesso ao cuidado, atravessadas por questões de raça, gênero e classe.
Para Marcelo Veras, o debate sobre o uso de medicamentos psiquiátricos precisa ser compreendido dentro desse cenário ampliado. “O recurso intensivo aos psicofármacos não aparece como um problema isolado, mas como sintoma de um campo de forças mais amplo. De um lado, há uma busca legítima por alívio do sofrimento e intervenções cada vez mais sofisticadas; de outro, o risco de delegarmos à medicação a responsabilidade pelo nosso próprio bem-estar”, afirma. O psicanalista também chama atenção para os efeitos desiguais desse processo. “As dinâmicas de medicalização da existência não impactam a todos da mesma forma. Elas atravessam questões de raça, gênero e classe, afetando de maneira mais intensa populações racializadas, mulheres e grupos socialmente vulneráveis”, completa Veras.
O Café Filosófico é uma parceria da TV Cultura com o Instituto CPFL. O programa é reapresentado na madrugada de terça para quarta-feira, à 1h
Sobre o convidado
Marcelo Veras é psicanalista da Escola Brasileira de Psicanálise e da Associação Mundial de Psicanálise, além de psiquiatra e professor em programas de especialização na área, como na UFBA, na PUC Paraná e na Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública. Médico formado pela Universidade Federal da Bahia, possui mestrado em Psicanálise pela Université Paris VIII, na França, e doutorado em Psicologia pelo Instituto de Psicologia da UFRJ. Atualmente, coordena o PsiU (Programa de Saúde Mental e Bem-Estar da UFBA), já dirigiu o Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira e foi presidente da Escola Brasileira de Psicanálise. É autor de obras que investigam as relações entre subjetividade e contemporaneidade, como A Loucura Entre Nós, Selfie, Logo Existo, Ruídos e Silêncios da Vida Confinada e A Morte de Si.
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